Qual Brasil? – Artigo

Com que Brasil o jovem vive hoje? Aquele sem curso, com discurso. Com o da prisão e da presidência. Com o do Senado e da Câmara. Com o do Congresso e do STF. Com o do voto e do veto. Com o da lei e da corrupção. Com o da projeção, e gráfico. Com o do editorial e Nietzsche. Com o de Deus e dos costumes. O do Novo e do recomeço. O do palco e do comício. Com o da ética e da virtude. Muito Cunha, sem cunho algum. Com o dos professores sem aulas. Com o das aulas sem professores. Com a educação da crase na crise. Com o das Olimpíadas e das tochas e das cinzas. Com o dos direitos todos tortos. Com o dos errados todos certos. Com causas, efeitos, e bombas: todos morais. Com o das pedaladas e das rasteiras. Com o da universidade e da exclusão.

Com o do consumo, na alegria e na tristeza. Sem saúde, na saúde e na doença. Com a perda da bala e da segurança. Com o das grades. Na prisão e na casa. Com o de Dilma, com o de Temer. Com o do delator e da delação. Com o da dialética e do analfabetismo. Com o da Copa e da capa. Com o da manchete tão manchada. Com o da América tão Latrina.

Com que Brasil, eu, jovem? Juventude, só no grito. Com o do martelo e do corrupto. Com tudo em cima – dos muros e das leis. No tribunal e na tribuna. Com o da diversidade e do racismo. Com o da fome de trapo e de estupro. Com o da bandeira sem leme e lema. Com o imposto do custo e do casto. Com a pedra de Crack e de Drummond. Com o da pena, e de dar pena.

Quanto mais Calheiros, mais calados. Brasil da repressão na reprise. Com o do índio e da oca. Com o do político e do oco. Com o do povo e do pouco. Estado, só de espírito. Onde obá obá faz samba. Oba oba faz política.

 

É Brasil de tudo. Menos de todos.

 

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4 thoughts on “Qual Brasil? – Artigo

  1. Guilherme, agradeço sua visita e confesso-me feliz por ler-te (seus artigos e poemas). Por que não, um F. Pessoa nacional, sem sotaque português, mas com o Português afiado na ponta da pena! Novos paradigmas do dizer sobre paradoxos da realidade. Bem escrito, bem dito, bem bonito. Serás seguido por mim e, creio também, por todos que gostam da boa leitura. Abraço!

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    • Que comentário lindo, meu amigo. Fiquei sem palavras, Pessoa sempre foi minha referência e pedestal máximo em literatura. Não escrevo pra trilhar o caminho dele, mas sim pra desenvolver uma identidade brasileira à heteronimia. Mas lembranças e referências ao eterno e antológico Pessoa sempre são bem-vindas :)) muito obrigado. Abraço!

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