Gustavo Freitas (Heterônimo 4)

eu te amo, eu disse a ela

porque preciso amar

alguma coisa

e combater alguma coisa

– algo deve doutrinar o homem

para que ele doutrine o próximo homem

e o próximo o próximo e o próximo o próximo

assim empilhamos

a poeira

as décadas e o

dominó

a história pegou leve

com alguns

e eles conduziram as massas

e então se mataram

marchou para o nada com outros

e eles marcharam para o nada com ela

mas poucos ela ensinou a resistir

e são esses

os dispostos

a amar

uma caneta

e algum dos franceses

e o algoritmo que explique

a inércia faminta aguardando essa fila de dominó

e eu me alistarei ao exército da lógica

que disparou canhões e economias

mas você não pode

então

deixe-me

deixe-me dentro

de uma multidão

deixe-me dentro

de um aluguel

deixe-me dentro

de um poema

enquanto uma única mosca

vence o vento e a humanidade

e o vento treme mais do que qualquer coisa por ser invencível

e um Deus não existe por ser invencível

e a derrota perdura

por ser invencível

coloque a última peça

na obsessão de amar até o amor

de teimar um profeta

num homem

de teimar um Deus

num silêncio

e eu sempre lhe direi

não há algoritmo

para o dominó

não há algoritmo

para o dominó

caímos

porque simplesmente quis

o

vento.

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