Irracionalidade intolerante

 

Na humanidade e em sua adjacente história ante esse globo terrestre tão maltratado e sucateado em suas ambientalidades, talvez nos falte a criatividade da literatura ou o encargo de filosofia em qualquer suficiência, e sua fuga talvez necessária de uma realidade real, objetiva e, mais do que isso, concreta, a que todos estamos condenados, que explique a propensão do homem ao mal  e à intolerância.

Nesses tempos de um governo e um Estado tão impotentes como é esse sentimento nosso ante o maquiavelismo da máquina pública, estamos cadeados às moradias e às nossas inseguranças, reféns da vida e da individualidade. Peço licença aos cientistas políticos num termo que muito lhes confere, me referindo a esta implacável sede de opressão ao homem, que não o faz em pirâmides sociais ou establishment de capital, mas nos substantivos de identidade, pátria, religião, raça, gênero, ou qualquer outra afirmação de individualidade que tornou-se hino de ódio, e não de respeito.

O intolerante deforma e desconhece o outro. Se vê em passados não tão passados essa repetição convulsa e incessante da ação ao mal, como vimos recentemente na Alemanha e em diversos países do mundo, o terrorismo mostrando que o ódio ao homem carrega algo de abstrato e transfigurador _ ódio pelo próprio ódio. Genocídios suicidas, terrorismos guarnecidos de bombas na máquina humana e santidades de causa, o século 21 registra e revela, mais do que nunca, a impotência e o despreparo do homem para lidar com o igual _ e aqui reforço e ressalvo em maiúscula, Igual. Dentro de nossas ciências e supertecnologias, num mundo que elimina fronteiras, nunca foi tão turva e limítrofe a ideia simples de igualdade.

Não me vou para o lado de Nietzsche, “torna-te aquilo que és”, se estamos caminhando para o cerne do que somos, mas a intolerância apresenta-se como palco das relações modernas. Ao outro, nós, seres sociais, lidando com a onipotência e trivialidade de nós mesmos, na epopeia do sempre agora, subjugados a Estados superfaturados, corrupções, impostos e atrocidades do banal, em pleno século de luz, legamos a irracionalidade. O intolerante, cego no sítio de suas certezas, transforma e deforma uma identidade humana num símbolo potencial – e real – de agressão, sempre perdido entre essa fantasia e falácia de mundo, e falência de sua própria humanidade.

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